Guia
Atlântida e Egito nos puzzles: de onde vêm os símbolos
Ankh, escaravelhos, flores de lótus e continentes submersos aparecem em muitos jogos de puzzle. Este guia explica de onde vêm estas imagens e como os quatro jogos do catálogo as usam.
Porque o Antigo Egito resulta tão bem num tabuleiro
Os jogos de combinar peças precisam de símbolos simples, com silhuetas fortes e cores bem separadas. A arte egípcia oferece isso de origem: a escrita hieroglífica usava centenas de sinais figurativos, pensados para serem reconhecidos de relance. Não admira que os designers de puzzles recorram a eles. Em Jewels of Egypt, a cruz ankh, o jarro de barro e o escaravelho funcionam como peças; em Pyramid Mahjong, falcões, esfinges e flores de lótus substituem parte dos símbolos tradicionais do mahjong.
Três símbolos que vale a pena conhecer
- A ankh
- O sinal hieroglífico associado à vida. Aparece nas mãos de divindades em relevos de templos e é, de longe, o símbolo egípcio mais usado em jogos. Em Pyramid Mahjong chega a ocupar o ícone da aplicação.
- O escaravelho
- Ligado a Khepri, a forma do deus-sol ao nascer do dia. Os egípcios observavam o escaravelho a rolar pequenas bolas e associavam esse gesto ao percurso do sol no céu. Em Jewels of Egypt surge como peça azul.
- A flor de lótus
- Abre-se de manhã e fecha-se ao fim do dia, e por isso tornou-se imagem de renovação. Surge nas peças douradas de Pyramid Mahjong e na mão de uma das personagens de Jewels of Egypt.
Como se voltaram a ler os hieróglifos
Durante séculos, ninguém soube ler estes sinais. A chave veio da Pedra de Roseta, encontrada em 1799, que repete o mesmo decreto em hieróglifos, em demótico e em grego antigo. Comparando os três textos, Jean-François Champollion anunciou em 1822 a decifração do sistema. É por isso que hoje sabemos que muitos dos sinais que os jogos usam como decoração eram, na origem, sons, palavras e ideias escritas.
E a Atlântida?
A Atlântida não pertence ao Egito, mas à literatura grega. Aparece pela primeira vez em dois diálogos de Platão, o Timeu e o Crítias, escritos no século IV a.C. No relato, a ilha estava ligada a Poséidon e acabou por ficar submersa. Não há vestígios arqueológicos que a confirmem: é uma história com intenção filosófica, que foi sendo recontada ao longo dos séculos.
Há, ainda assim, uma ponte curiosa entre os dois temas. Platão conta que a história chegou à Grécia através do legislador Sólon, que a teria ouvido de sacerdotes egípcios na cidade de Saís. É uma ligação literária, não histórica, mas explica bem porque é que tantos jogos juntam pirâmides e cidades submersas no mesmo imaginário.
O que os jogos do catálogo fazem com isto
Jewels Atlantis usa a lenda como cenário: corais, conchas e blocos de pedra com rostos esculpidos sugerem uma cidade submersa, sem tentar reconstituir nada. Jewels Temple fica-se por uma parede com hieróglifos. Jewels of Egypt é o mais ambicioso, com obeliscos, pirâmides e templos a reconstruir entre níveis. Nenhum destes jogos pretende ensinar história, mas conhecer a origem dos símbolos torna cada tabuleiro um pouco mais interessante.